domingo, 2 de maio de 2010

Edição Mai/Jun 2010 - Números 122/123



O VENTO QUE SOPRA PELAS FLORES

Uma história sobre CURA.

Há vários anos atrás, em Seattle, Washington, vivia um refugiado tibetano de 52 anos de idade. "Tenzin", é como vou chamá-lo, foi diagnosticado como portador de uma forma de linfoma das mais fáceis de curar. Ele foi internado em um hospital e recebeu a primeira dose de quimioterapia. Mas durante o tratamento, este homem normalmente gentil tornou-se agressivo e irritado; arrancou a agulha intravenosa de seu braço e negou-se a cooperar. Ele então gritou com as enfermeiras e discutiu com todos ao seu redor. Os médicos e enfermeiros ficaram desconcertados.
Depois, a esposa de Tenzin falou com o pessoal do hospital. Ela contou que ele foi um prisioneiro político dos chineses por 17 anos. Eles mataram sua primeira esposa e ele foi repetidamente torturado e brutalizado durante todo o tempo em que esteve preso. As normas e regulamentos do hospital, juntamente com a quimioterapia, fez Tenzin recordar todo o sofrimento que passou.
"Eu sei que vocês querem ajudá-lo," ela disse, "mas ele se sente torturado pelo tratamento". "Ele faz com que ele sinta ódio internamente" da mesma maneira que os torturadores fizeram ele se sentir. Ele prefere morrer do que viver com o ódio que ele está sentindo agora. E, segundo nossas crenças, é muito ruim ter tamanho ódio no coração na hora da morte. Ele precisa estar apto para rezar e limpar seu coração."
Assim, o médico dispensou Tenzin e recomendou uma equipe da clínica para visitá-lo em casa e eu era a enfermeira encarregada de cuidar dele. Eu entrei em contato com um representante da "Anistia Internacional" para pedir-lhe conselhos. Ele me disse que a única forma de sanar o trauma da tortura era "falar a respeito". "Essa pessoa perdeu sua confiança na humanidade e sente que a esperança é impossível." Mas quando eu encorajei Tenzin a falar sobre suas experiências, ele ergueu suas mãos e me fez parar. Ele disse, "Eu preciso aprender a amar de novo se eu quiser curar minha alma"! "Sua tarefa não é fazer perguntas e sim me ensinar a amar novamente." Respirei profundamente e perguntei, "E como eu posso fazê-lo amar de novo?"
Tenzin respondeu prontamente..., "Sente-se, tome meu chá e coma meus biscoitos."
O chá tibetano é um chá preto forte, coberto com manteiga de iaque e sal. Não é fácil de bebê-lo! Mas..., foi o que eu fiz.
Por várias semanas, Tenzin, sua mulher e eu nos sentamos juntos e tomamos chá. Nós também conversamos com os médicos para achar formas de tratar suas dores físicas. “Mas era sua dor espiritual que deveria ser diminuída”.
Cada vez que eu chegava, via Tenzin sentado de pernas cruzadas em sua cama, recitando preces de seus livros. Com o passar do tempo, sua mulher foi pendurando mais e mais "Thankas" - bandeirolas Budistas coloridas – nas paredes.
Em pouco tempo, o quarto parecia um colorido templo religioso.
Na chegada da primavera, eu perguntei o que os tibetanos faziam na primavera, quando estavam doentes. Ele abriu um grande sorriso e disse, "Nós nos sentamos e aspiramos o vento que sopra pelas flores." Eu pensei que ele estava falando poeticamente, mas suas palavras eram literais. Ele explicou que os tibetanos fazem isso para serem pulverizados com o pólen das novas floradas, carregadas pela brisa. "Eles acreditam que esse pólen é um potente medicamento".
No primeiro momento, achar muitas floradas parecia um pouco difícil. Mas, um amigo sugeriu que Tenzin visitasse algumas floriculturas locais. Eu liguei para o gerente de uma floricultura e expliquei-lhe a situação.
Sua reação inicial foi "Você quer o que?...” Mas quando eu expliquei melhor o meu pedido, ele concordou.
Então, no final de semana seguinte, eu busquei Tenzin, sua esposa e suas provisões para a tarde: chá preto, manteiga, sal, xícaras, biscoitos, almofadas e livros de preces. Eu os deixei na floricultura e combinei de pegá-los às 17 horas.
No outro final de semana, visitamos uma outra floricultura. E mais outra no terceiro fim-de-semana.
Na quarta semana, eu comecei a receber convites das floriculturas para Tenzin e sua mulher para voltarem novamente. Um dos gerentes disse, "Nós temos uma nova remessa de nicotianas e lindas fuchsias". Ah, sim... E temos belas dafnias. Eu sei que eles vão adorar o perfume das dafnias! E eu quase me esqueci! Temos uns novos bancos de jardim que Tenzin e sua esposa vão adorar!"
No mesmo dia, outra floricultura ligou dizendo que eles tinham recebido "birutas coloridas" para Tenzin saber de que direção o vento estava soprando. Logo, as floriculturas estavam competindo pelas visitas de Tenzin. As pessoas começaram a se importar com o casal tibetano. Os empregados arrumavam os móveis de frente para o vento. Outros traziam água quente para o chá. Alguns fregueses regulares deixavam seus carrinhos de compras próximos do casal.
E no final do verão, Tenzin voltou ao seu médico para novos exames e determinar o desenvolvimento da doença. Mas o doutor não achou nenhuma evidência de câncer. Ele estava abobalhado; disse a Tenzin que ele simplesmente não sabia explicar aquilo. Tenzin levantou seu dedo e disse: "Eu sei por que o câncer se foi. Ele não podia mais viver num corpo tão cheio de amor". Quando eu comecei a sentir a compaixão das pessoas da clínica, dos empregados das floriculturas, e todas essas pessoas que queriam saber de mim, eu comecei a mudar por dentro. Agora, eu me sinto afortunado por ter a oportunidade de ser curado dessa forma. Doutor, por favor, não acredite que a sua medicina é a única cura.
"Às vezes, a compaixão pode também curar um câncer."


Fonte: Mensagem divulgada pela Internet

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"A vida é um grande oceano no qual você pode se divertir, caso se desfaça de todos os julgamentos, de suas preferências e do apego aos detalhes dos seus planos de longo prazo. Esteja disponível para o que vier ao seu encontro, da forma como vier. E não se preocupe se tropeçar ou cair: levante-se, sacuda a poeira, dê uma boa gargalhada, e vá em frente!”.

Osho

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É PRECISO SER PERFEITO?

A renúncia não é uma meta em si, mas um meio para alcançar um fim – a meta da transformação e da divinização.
Não existe um caminho que sirva para todos. Alguns podem ser atraídos pela senda do celibato; outros podem preferir o casamento. O casamento pode ser a base para uma vida espiritual se o casal estiver empenhado no crescimento de suas almas. O carma de alguns pode levá-los a viver e trabalhar em cidades; outros podem preferir uma vida de isolamento e contemplação.
O vegetarianismo não é um requisito para a senda espiritual, mas reduzir ou eliminar o consumo de carne pode ajudar a mente a concentrar-se no Deus interior. O açúcar, o álcool, as drogas e a nicotina são obstáculos na senda. Servem apenas para nos pregar à cruz do mundo material.
Mas se não estivermos prontos para viver uma vida ascética, como os monges do deserto, não devemos permitir que isto nos impeça de tornarmo-nos místicos.
Hoje em dia existe o conceito errado de que é preciso ser "perfeito" para ser espiritual. Ser perfeito é uma tarefa desencorajadora. As pessoas terão vontade de desistir antes mesmo de começar. "Como posso trilhar uma senda espiritual", perguntam algumas pessoas, "se sequer posso passar um dia sem me irritar e nem tenho tempo para meditar ou orar?"
Quando as Escrituras nos dizem para sermos "perfeitos" usam a palavra grega "teleios", que significa "iniciado" na terminologia das religiões de mistério. Se Jesus e Paulo eram místicos, quando nos exortavam a sermos perfeitos, estavam dizendo para nos tornarmos iniciados - isto é, para nos prepararmos para o processo de divinização.
Como vimos, alcançar a união com Deus não é algo instantâneo, mas gradual.


Fonte: Reencarnação: O Elo Perdido do CristianismoElizabeth Clare Prophet (1939-2009)
Escritora norte-americana, mística e professora espiritual.
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“Se as portas da percepção forem purificadas, tudo aparecerá como é... infinito.

William Blake (1757-1827)
Poeta, pintor e tipógrafo inglês
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Imagem: GettyImage

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